quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Memórias ativas

eu olho pro futuro querendo sentir ele do meu lado
mas ele faz uma curva e se joga distante
dói um pouco
mas depois passa
como passam os dias até ele chegar

o cheio da nostalgia é temperado com amor

aquilo pra matar e morrer
antes que mate por dentro

a casa do conforto não quer abrir sua fechadura pro meu coração

o amor comeu os meus desejos e não quer fazer a digestão

não sei onde foi brincar de esconde-esconde
o amor que deveria esconder as dores da minha vida


mesmo quando o coração se parte em dois
você continua batendo a vida de um só

eu espero a vida acontecer e isso a atrasa

todo movimento é uma palavra viva

a verdade do amor só é completa quando se quebra em duas partes

alice plantou borboletas no meu estômago, que voam sem parar
servem ao menos pra disfarçar os socos no peito e perdidos da mente

desilusão é um prato cheio pra um estômago faminto de amargura


ócio é bactéria do corpo
vácuo é cárie pro coração


a vida me abraça com um tailleur de espinhos, pra me fazer sangrar as dúvidas, confusões e angústias
eu torço pra vir uma hemorragia


talvez não saiba falar sol porque a língua não queimou em verões

todo mundo tem um lobo, mas nem todo mundo vira pra lua pra ele poder uivar

porque a dor quando nasce
não tem carne
pra ser morta a facadas






Eu posso apagar o blog,
Mas o sentimentos de mim não se apagam não.


Retirados do mu-t.blogspot.com , meu ex blog de cansaços diários

3 coments:

gabs. disse...

fechou o mu? ;/


tem selo-entrevista pra vc:*

Anônimo disse...

tem muitos assim dessa qualidade ? ja leu os poetas situationistas ? e o lautréamont ?
cadê o editor pra publicar essa maravilha ?
amanhã não pode, tem de ser hoje

Dandara disse...

oi, anônimo! que comentário inspirador que eu só vi 11 meses depois :)